Goalball

goalball

O goalball, ao contrário de outras modalidades paraolímpicas, foi desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência – no caso, a visual. A modalidade, uma das que mais atrai público, é disputada em uma quadra com as mesmas dimensões da de vôlei (9m de largura por 18m de comprimento). As partidas duram 20 minutos, com dois tempos de 10. Cada equipe conta com três jogadores titulares e três reservas. Nas duas extremidades da quadra há um gol com nove metros de largura e 1,2 de altura. Os três atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso tem de ser rasteiro com o objetivo de balançar a rede adversária.

A bola possui guizo em seu interior que emite sons – há furos que permitem a passagem do som – para que os jogadores possam saber a direção dela (é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva). Exatamente por esse motivo, não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo. Caso contrário, não é possível ouvir o som emitido pelo guizo. Ainda sobre a bola, ela tem 76cm de diâmetro e 1,25 kg de peso. Sua cor alaranjada e seu tamanho são semelhantes à de basquete. Este esporte é praticado em 112 países, nos cinco continentes. Como é possível perceber, o goalball tem duas coisas que o brasileiro gosta: bola e gol.

Histórico

O esporte foi inventado em 1946 pelo austríaco Hanz Lorezen e o alemão Sepp Reindle, com o intuito de reabilitar veteranos da Segunda Guerra Mundial que ficaram cegos. Por ser muito emocionante, o goalball se difundiu rapidamente pelo planeta. A primeira participação paraolímpica da modalidade foi nos Jogos de Toronto, 1976, em caráter de exibição. Competiram sete equipes masculinas. Dois anos depois, foi organizado o primeiro Campeonato Mundial de Goalball, na Áustria. Na Paraolimpíada de Arnhem-80, o esporte passou a integrar o programa paraolímpico. Em 82, a modalidade passou a ser gerenciada pela Federação Internacional de Esportes para Cegos-IBSA. Os primeiros Jogos que contaram com as mulheres ocorreram em Nova Iorque-84.

Um marco para o goalball nacional foi em 1985, quando o professor Steve Dubner trouxe para o Brasil a idéia do jogo. No ano seguinte, Mário Sérgio Fontes foi para o Mundial da modalidade, na Holanda. De lá, trazia o esporte em si. Inicialmente, o Clube de Apoio ao Deficiente Visual-CADEVI e a Associação de Deficientes Visuais do Paraná-ADEVIPAR receberam as primeiras partidas. Em 87, ocorreu o inédito campeonato brasileiro da modalidade. Entre os homens, o maior feito internacional foi a prata conquistada no Parapan de 1995, disputado em Buenos Aires. Na Carolina do Sul, em 2001, as mulheres ganharam o bronze parapan-americano, enquanto a seleção masculina ficou em quarto lugar. Entretanto, esta não foi a maior conquista da seleção feminina. Em 2003, as jogadoras brasileiras se sagraram vice-campeãs no Mundial da IBSA, disputado em Quebec, Canadá. Com isso, pela primeira vez, o País se classificou para uma edição dos Jogos Paraolímpicos – no caso, Atenas-2004.

                                                             Classificação

Nesta modalidade os atletas deficientes visuais das classes B1, B2 e B3, competem juntos, ou seja, do atleta completamente cego até os que possuem acuidade visual parcial. Aqui também vale a regra de que quanto menor o código de classificação, maior o grau da deficiência. Todas as classificações são realizadas através da mensuração do melhor olho e da possibilidade máxima de correção do problema. Todos os atletas, inclusive das classes B2 e B3 (com visão parcial), utilizam uma venda durante as competições para que todos possam competir em condições de igualdade.

B1 – Cego total: de nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou direção.

B2 – Lutadores que já têm a percepção de vultos. Da capacidade em reconhecer a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 ou campo visual inferior a 5 graus.

B3 – Os lutadores conseguem definir imagens. Acuidade visual de 2/60 a 6/60 ou campo visual entre 5 e 20 graus.